Conhecer a África é um compromisso com a verdade histórica!

Durante muito tempo, gerações de brasileiros aprenderam sobre o continente africano a partir de uma visão limitada, preconceituosa e marcada pela colonização. A África foi apresentada como se fosse um único país, um território sem diversidade, sem conhecimento, sem grandes civilizações e cuja história começasse apenas com a escravização de seus povos.
Mas a África é um continente formado por 54 países, com milhares de povos, línguas, culturas, saberes, religiões, filosofias e diferentes experiências históricas.
Conhecer os países africanos é fundamental para desconstruir estereótipos e combater uma desinformação que ainda hoje é reproduzida como verdade.
Para nós, brasileiros, conhecer Angola tem um significado ainda mais profundo.
Milhões de africanos foram trazidos à força para o território que se tornou o Brasil durante os séculos de tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Uma parcela muito significativa dessas pessoas partiu da África Centro-Ocidental, especialmente de territórios relacionados à atual Angola e ao antigo Reino do Kongo.
Esses homens, mulheres e crianças não chegaram ao Brasil sem história.
Trouxeram conhecimentos, tecnologias, formas de organização comunitária, espiritualidades, ritmos, palavras, práticas agrícolas, modos de preparar alimentos e diferentes maneiras de compreender o mundo.
A presença dos povos de línguas bantu está profundamente marcada na formação cultural brasileira.
Ela está na nossa língua, na música, na religiosidade, na culinária, nas relações comunitárias, nos gestos, nas festas populares e em muitas práticas que fazem parte do cotidiano brasileiro.
Por isso, conhecer Angola não significa procurar uma África imaginária ou romantizada.
Significa estudar a história com responsabilidade, ouvir pesquisadores africanos, conhecer os povos que vivem no continente hoje e compreender que Angola possui sua própria história, suas contradições, seus desafios e suas transformações.
Também significa questionar: quem contou a história da África que aprendemos?
Quais conhecimentos foram silenciados?
Por que sabemos tanto sobre a história da Europa e tão pouco sobre os reinos, povos, intelectuais, mulheres, lideranças e movimentos sociais africanos?
Não podemos construir uma educação verdadeiramente antirracista enquanto continuarmos ensinando a história da população negra apenas a partir da escravização.
Antes dos navios existiam povos.
Antes dos cativeiros existiam famílias.
Antes da violência colonial existiam conhecimentos, territórios, línguas, culturas, sistemas políticos e histórias.
Conhecer Angola e os demais países africanos é ampliar nosso olhar sobre o mundo e sobre o próprio Brasil.
É compreender que o Atlântico não conseguiu apagar completamente as memórias, os conhecimentos e as resistências dos povos africanos.
Buscar nossas raízes exige estudo, respeito e responsabilidade.
Precisamos conhecer a África para além dos preconceitos, das generalizações e da desinformação vendida como verdade.
Porque conhecer a história de nossos ancestrais também é reconhecer a dimensão africana da formação do Brasil.
E quando conhecemos nossas raízes com profundidade, podemos combater o racismo, fortalecer identidades e construir novas formas de ensinar às próximas gerações quem somos, de onde viemos e quais histórias ainda precisamos recuperar.
Conhecer Angola é atravessar o Atlântico em busca de conhecimento, memória e pertencimento.
Conhecer a África é compreender que uma parte fundamental da história do Brasil começou muito antes da chegada dos africanos aos portos brasileiros.
Nossas raízes têm história. Nossos ancestrais tinham voz. E conhecer essa história também é uma forma de transformar realidades.

CMI – Conexão Mulher Internacional
Conhecimento, ancestralidade e educação para transformar realidades.